Qual a situação dos profissionais da educação em meio à pandemia no Brasil?

Marcelo Camargo (Agência Brasil)
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O trabalho dos profissionais da educação no Brasil é lembrado e homenageado nesta quinta-feira (6). O Dia Nacional dos Profissionais de Educação (Lei 13.054/14), como é denominado, foi sancionado pela presidenta Dilma Roussef no dia 22 de dezembro de 2014 com o objetivo de reconhecer a importância desses trabalhadores para o país. Este ano, no entanto, a data deve servir também para refletir sobre a situação dos profissionais da área em meio à pandemia do novo coronavírus.

Durante o mês de março, a Organização Mundial da Saúde estimou que mais de 290 milhões de estudantes ao redor do mundo estavam sem aulas. O pré-candidato a prefeito de Paulista/PE, vereador Fábio Barros, comenta que os impactos da medida vão para além dos estudantes. “O aprendizado foi afetado diretamente, mas a interrupção das aulas impactou diretamente os profissionais da educação, seja pela falta de perspectiva ou pela precarização do trabalho”, falou.

Escolas fechadas

No Brasil, a interrupção das aulas começou em meados de março, quando a pandemia começou a tomar maiores proporções no país. As instituições de ensino precisaram fechar as portas e interromper o ensino presencial por tempo indeterminado, isso porque, de acordo com a OMS, a convivência em escolas, universidades e outras organizações durante o processo epidêmico aumenta a velocidade de transmissão e, consequentemente, de casos da Covid-19.

Embora tenha sido comprovado que a doença tem mais chance de evoluir para casos graves em pessoas mais velhas, todo mundo é suscetível a contrair o vírus e eventualmente ter complicações da Covid-19. Dessa forma, o fechamento das escolas evita que crianças e jovens se exponham ao vírus e possam vir a falecer. Além disso, mesmo em casos brandos e assintomáticos, a transmissão ainda ocorre, aumentando os riscos para os mais velhos em contato com os estudantes.

Como ficaram os profissionais?

Explicados os riscos envolvidos nos locais, fica evidente que não havia outra opção para poupar vidas senão o fechamento imediato das instituições. A situação, no entanto, trouxe diversos desafios e problemas para a sociedade como um todo, mas, os profissionais que trabalham na área da educação se viram ainda mais atingidos, sobretudo aqueles vinculados às redes públicas de ensino.

A implementação de atividades remotas, como aulas online foi a solução encontrada pelas grandes redes de ensino privado, possibilidade inviável para as redes públicas, sobretudo em âmbito municipal. A falta de estrutura das escolas e a desigualdade social presente na maioria das casas dos estudantes dificultou a busca de saídas para o problema.

No caso de Paulista/PE, por exemplo, a rede municipal dispôs apenas de exercícios online para os alunos e alguns vídeos publicados em um canal da internet. A interação entre professor e aluno praticamente não existiu, seja pela falta de treinamento dos profissionais ou pela dificuldade de acesso aos estudantes.

Para os profissionais de redes públicas que obtiveram estrutura mínima de implementação do ensino remoto em municípios e estados, as condições também não são fáceis. De acordo com pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (Gestrado/UFMG) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), 89% dos trabalhadores entrevistados não tinham experiência com aulas remotas antes da pandemia e 42% afirmam que seguem sem nenhum treinamento.

“A rede não conseguiu dar uma resposta eficaz ao problema. Foi quase um semestre de aprendizado paralisado, isso deve ter consequências para a vida dos estudantes, com o aumento da evasão escolar, por exemplo. Agora fala-se na retomada das aulas presenciais, mas os governos não estão preparados para isso.”, disse Fábio Barros.

Reabertura das instituições

O retorno das aulas presenciais nas escolas já começa a ser discutido à medida que muitas cidades e estados já começaram a realizar a abertura das atividades econômicas, como é o caso de Pernambuco. A volta dos alunos para as escolas, no entanto, causa preocupações já que a pandemia ainda não foi controlada na maioria dos lugares do Brasil.

Um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que o retorno das atividades nas escolas pode aumentar a rede de possíveis contaminações para mais de 120 milhões de pessoas no país.

Da mesma forma, a OMS alertou que a reabertura das escolas em contextos onde a pandemia está fora de controle agrava ainda mais o problema. Segundo o órgão, o controle do vírus e a supressão da transmissão deve vir antes da abertura. Com o cenário atingido, medidas devem ser tomadas para a retomada, como a redução de turmas e a obrigatoriedade do uso da máscara, por exemplo.

“A volta das aulas é de extrema importância para alunos, pais e profissionais, mas isso não deve ser feito de forma irresponsável. É preciso esperar o momento correto dentro dos requisitos apresentados pela OMS. Quando isso for possível ainda não se pode relaxar, as escolas devem estar preparadas para receber estudantes e profissionais com a maior segurança possível”, explicou Fábio.