Bicicletas são mais seguras durante a pandemia, mas Paulista/PE não oferece infraestrutura

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O uso da bicicleta aparece como uma tendência crescente em cidades ao redor do mundo em tempos de pandemia e distanciamento social. No Brasil, segundo levantamento da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), a procura pelo equipamento aumentou em 50% desde maio. Apesar disso, a maioria das cidades do país não dispõe da infraestrutura necessária para atender a demanda e garantir a segurança dos ciclistas.

É o caso de Paulista/PE. Com uma população estimada em mais de 330 mil habitantes espalhados em 24 bairros, a cidade é uma das 100 maiores do Brasil. A infraestrutura em mobilidade do município, no entanto, não acompanha o crescimento e as necessidades da população e sim dos automóveis. A insuficiência de ciclovias e ciclofaixas é mais um dos problemas que se acumulam na área.

A falta de um plano de mobilidade para a cidade, em contramão ao que determina a Lei Federal 12.587/12, é apontada pelo pré-candidato a prefeito de Paulista/PE, vereador Fábio Barros, como um dos principais causadores dos problemas. “Não existe na cidade um plano de mobilidade que atenda nenhum modal. Sem planejamento não dá pra avançar nessa área, sem ele não conseguimos garantir segurança para pedestres, motoristas e ciclistas”, disse.

O Dia Nacional do Ciclista, comemorado nesta quarta-feira (19), pede uma reflexão mais aprofundada acerca da situação do modal bicicleta na cidade de Paulista/PE. Os problemas observados, somados às consequências da pandemia, mostram que a necessidade de estruturação da área é também questão de saúde pública.

Falta de infraestrutura para ciclistas em Paulista/PE

O Plano Diretor Cicloviário construído em 2014 para interligar as cidades da Região Metropolitana do Recife (RMR) de forma não motorizada determina a necessidade de construção de 47 km de ciclovias e ciclofaixas em Paulista/PE. Até o momento, a cidade tem apenas 7 km dos espaços destinados a ciclistas, que corresponde à ciclovia de iniciativa do governo do estado antes da criação do projeto.

Até mesmo esse trecho já construído não atende a população da forma que deveria. O cicloativista Paulo Marcelo comenta sobre a situação. “Aquela via está totalmente ocupada com bar, oficinas, mato… Não existe sinalização, as pessoas nem percebem que é uma ciclovia, não tem pintura e nem conservação. As pessoas que vão pedalar em um horário mais tarde preferem nem ir pela ciclovia”, disse.

O pré-candidato a prefeito Fábio Barros, aprovou, enquanto vereador do município, a Lei da Bicicleta (4591/2016). A determinação passou a obrigar a gestão municipal a construir ciclovias ou ciclofaixas em todas as vias que tenham a viabilidade para recebê-las. Apesar disso, nos últimos anos não houve nenhum investimento na área por parte do Poder Público.

A PE-01 é um exemplo da falta de interesse em garantir os direitos dos ciclistas e dos moradores da cidade. Mesmo após quatro anos para a finalização da obra e mobilizações constantes de cicloativistas, a via foi entregue à população sem o espaço destinado às bicicletas.

“Houve uma discussão prévia, os movimentos sociais, os cicloativistas, fizeram inclusive contagem de ciclistas passando pela PE-01. Mostraram ao governo que há uma necessidade de ciclovia. Alguém manda um recado dizendo não tem como fazer ciclovia, essa foi a informação que passaram para a população, uma informação que não é verdadeira. Poderia sim ter sido feito, não foi feito por falta de decisão política”, explicou Fábio Barros.

Na época de construção, a reivindicação dos cicloativistas para a PE-01 era de uma ciclovia de 7 km que ligasse a Ponte do Janga ao Conjunto Beira Mar. Ao invés disso, a prefeitura construiu uma ciclofaixa na orla com 2 km e 100 m que atende o objetivo de promover o lazer na área da praia e não o deslocamento no dia-a-dia, demanda dos cicloativistas e trabalhadores da cidade.

Iniciativas e a pandemia

No início deste ano, o presidente da Câmara dos Vereadores, Fábio Barros, havia conseguido junto ao deputado federal Túlio Gadelha uma destinação de emendas parlamentares para Paulista/PE. O objetivo era a implementação de um modal cicloviário na cidade que interligaria os bairros de Jardim Paulista, Mirueira, Aurora, Maranguape I, Alameda, Jaguarana e Maranguape II, ao Terminal Integrado Pelópidas Silveira.

A pandemia do novo coronavírus, no entanto, fez necessária a mudança de planos. O recurso foi entregue no mês de maio pelo gabinete do deputado ao fundo nacional da saúde, que, por sua vez, repassou ao fundo municipal dando destino a ações dos leitos de retaguarda do hospital de campanha de Paulista/PE.

Não só a saúde pública, mas a mobilidade urbana também foi transformada pela pandemia. A nova realidade imposta na qual se faz necessário o distanciamento social coloca obstáculos para a mobilidade brasileira, sobretudo nos transportes públicos lotados, como ônibus e metrôs.

“A pandemia acelerou alguns processos e um deles foi o de repensar os modais, a bicicleta se tornou inclusive o modal seguro no sentido da contaminação. Diante do que a pandemia nos impõe, isso já gerou uma mudança de comportamento. Pessoas deixando de usar o ônibus, quando tiverem essa possibilidade, pelo medo do contágio, mas as ruas não oferecem a segurança para um ciclista”, disse Fábio Barros.

A bicicleta desponta como uma alternativa barata e sustentável para a garantia das recomendações de saúde e segurança, mas como é possível utilizá-la em Paulista/PE diante de tantos problemas? “A gestão municipal deve ter a capacidade de tocar uma cidade sob condições diferentes, além disso é preciso ouvir e pensar nas pessoas da cidade”, respondeu Fábio.