8 de março é dia de luta

8 de março é dia de luta
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Lembrado, geralmente, como dia de homenagem às mulheres, o dia 8 de março representa um marco histórico na luta pela igualdade de gênero e segue, ainda hoje, 113 anos após aquele 8 de março de 1917 (segundo o calendário gregoriano) na Rússia, sendo um símbolo de uma série de reivindicações e conquistas de direitos das mulheres. O Dia Internacional da Mulher, oficializado pela ONU em 1975, tem sido lembrado como uma data de luta das mulheres, e como tal, não poderia ser diferente, atualmente.

Altos índices de violência contra as mulheres, diferença salarial entre homens e mulheres e desproporcionalidade na ocupação dos cargos públicos eletivos, são alguns dos indicadores de que o 8 de março segue sendo um dia de muita luta das mulheres brasileiras.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número total de assassinatos no Brasil caiu em 2019, em relação a 2018, mas, ao mesmo tempo, o número de feminicídios aumentou 7,3%, revelando o aprofundamento da violência contra a mulher, e aumentando ainda mais a necessidade da manutenção das discussões sobre os impactos de uma cultura machista em nossa sociedade e da busca por alternativas de enfrentamento à violência contra as mulheres.

De acordo com o Atlas da Violência, do último ano, 4.936 mulheres foram assassinadas em 2017, das quais 66% eram mulheres negras. Ou seja, no geral, 14 mulheres foram mortas por dia, em 2017. Em um comparativo de dez anos, entre 2007 e 2017, o homicídio de mulheres negras cresceu 29,9%, enquanto que o de mulheres não negras cresceu 4,5%. Entre 2017 e 2018, 61% das mulheres vítimas de feminicídio eram negras. Estes dados nos mostram que há um recorte étnico quando o assunto é violência contra a mulher, revelando que o problema da violência é ainda mais profundo, posto que além do machismo, há também o racismo como fator preponderante no quesito violência de gênero.

Segundo dados disponibilizados pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, na cidade do Paulista, o número de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar saltou de 977 casos em janeiro de 2012, para 2.077 casos registrados até dezembro de 2019, o que significa mais de 173 casos por mês, e mais de 5 casos por dia. Também no Paulista, o número de estupros saltou de 12 casos registrados em janeiro de 2004, para 120 em dezembro de 2019, o equivalente a 10 casos por mês.

Outro dado importante, que ressalta a importância de rememorarmos esta data como uma data de luta, é o fato de as mulheres ainda terem uma remuneração menor do que a dos homens, proporcionalmente, no mercado de trabalho. Segundo dados do IPEA, de 2019, mulheres ganham o equivalente a 76% da remuneração dos homens, ao desempenharem as mesmas funções, além de acumularem jornadas triplas de trabalho. Um dos fatores que dificultam o acesso ao emprego, em Paulista, além do machismo institucional, é o alto preço da tarifa de ônibus (R$ 4,70), o que faz com que as empresas optem, na hora da contratação, por trabalhadores que utilizam transporte mais barato. Um outro dilema enfrentado pelas mulheres é a insuficiente oferta de vagas em creches na cidade. Sem ter onde deixar os filhos elas terminam ficando de fora do mercado do trabalho, na maioria das vezes.

Na mesma perspectiva das desigualdades de gênero, no quesito representatividade e ocupação de espaços de poder, embora existam, atualmente, cotas eleitorais que visam garantir no mínimo 30% de mulheres na composição de chapas para a disputa eleitoral, em 2019, segundo o site da câmara dos deputados, dos 513 deputados eleitos, apenas 77 são mulheres e entre as 81 vagas no senado, apenas 12 são ocupadas por mulheres.

E quando trazemos o debate para a realidade dos municípios, nas disputas proporcionais para vereadores no país, entre 2004 e 2016, os dados apontam que as mulheres ocuparam menos de 15% das vagas. Em Paulista o cenário é ainda mais crítico, posto que das 15 cadeiras da Câmara de Vereadores da cidade, há apenas uma vereadora eleita, o que é equivalente a 6,6% do total das vagas, revelando um percentual ainda menor do que a média geral do país.

8 de março é dia de luta! Luta pelo direito à vida, luta anti-racista, luta pela equiparação salarial e luta para ocupar os espaços de poder!