Não é ajuda! Mães precisam de estímulo, suporte e políticas públicas de qualidade

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Com a chegada do dia das mães, sob condições atípicas de uma pandemia, mais do que presentear, é preciso pensar em formas de diminuir o impacto que a sobrecarga de tarefas tem sobre a vida das mulheres com filhos no país, principalmente aquelas em vulnerabilidade social. Se, em condições normais, o acúmulo de funções já era um problema invisibilizado pela sociedade, agora, a dificuldade que as mães enfrentam para equilibrar todas as demandas dentro e fora de casa passa até mesmo a ser normalizada.

Filhos em casa o dia todo, em razão do isolamento social, significa cuidado em tempo integral. Adicione a isso o trabalho remoto, para aquelas que tem essa possibilidade, e as tarefas domésticas, intensificadas pela constante presença de pessoas em casa. O cálculo toma grandes proporções graças a uma cultura que acredita ser da mãe a responsabilidade de todas as demandas da esfera do lar e, onde a divisão de tarefas entre as pessoas que compartilham o espaço ainda é um objetivo distante de ser alcançado.

As dificuldades se aprofundam ainda mais quando olhamos para a realidade daquele perfil que é mãe solteira, aquela que cuida dos filhos sem o apoio de outro responsável legal. Segundo o mais recente censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, 11,6 milhões era o número de mães solo no Brasil. Estima-se ainda que, 56,9% das famílias comandadas por mulheres vivem abaixo da linha da pobreza.

Em tempos de pandemia, o cenário se torna ainda mais cruel. São as mães, que já se encontram em condições de vulnerabilidade, quem mais têm tido dificuldades em manter a renda familiar e a comida na mesa. De acordo com pesquisa realizada pelo Data Favela e Instituto Locomotiva, o número de mães nas favelas é de 5,2 milhões. Desse número, 76% das mulheres relatam que os gastos aumentaram com os filhos em casa, sem ir para a escola.

Construir maneiras de dar suporte a essas mulheres, não só durante a crise que atravessamos, é responsabilidade também do poder público. Políticas públicas que ofereçam às mulheres a possibilidade de ingressar no mercado de trabalho são decisivas para transformar a realidade atual que estão inseridas, além de influenciar nas próximas gerações. Com esse objetivo, as creches são importantes instrumentos para a autonomia das mães e educação dos filhos.

Lugares seguros, onde se é possível confiar os cuidados da criança durante um período do dia em que a mãe pode estar engajada em atividades formais de trabalho ou estudo, esse é o propósito de uma creche. A oferta do ensino público de qualidade desde cedo, através das creches, contribui diretamente ao desenvolvimento profissional e econômico dos municípios, responsáveis pela implementação, e consequentemente, do país. A possibilidade de um futuro é o melhor presente que uma mãe pode receber.