Potencial turístico ambiental de Paulista/PE pode fortalecer a economia do município

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Recursos naturais, como praias e matas, quando protegidos e vinculados a projetos de desenvolvimento sustentável, são capazes de promover o turismo e consequentemente, movimentar a economia de uma localidade. A falta de gestão e políticas públicas que enxerguem todo esse potencial ainda é o maior problema.

É o caso de Paulista/PE. Agraciada por extensas áreas preservadas de Mata Atlântica e praias belíssimas, a cidade não recebe por parte do Poder Público e por grande parte da população, que ainda desconhece, a atenção devida. Mas afinal, qual o potencial ambiental de Paulista/PE?

Foi para responder essas e outras perguntas e levar luz para as oportunidades escondidas nesses recursos naturais que o biólogo e pré-candidato a prefeito Fábio Barros promoveu uma discussão no seu canal do Youtube.

Outros professores de biologia, que assim como ele, estudam o assunto, participaram do debate: Ebenezer Lobão, ex-analista ambiental da prefeitura de Paulista; Fabiana Carmo, coordenadora de Biologia e Meio Ambiente do Museu de Ciências Espaço Ciência; e Múcio Banja, professor da UPE e pesquisador do Instituto Avançado de Tecnologia e Inovação.

Durante a discussão, puderam enxergar quais são as principais áreas passíveis de implementação de políticas baseadas na preservação do ambiente e promoção do turismo. Ainda foi possível apresentar futuros projetos a serem desenvolvidos nessas regiões.

Potencial Litorâneo

Historicamente, o litoral Norte de Pernambuco teve o desenvolvimento retardado em razão da falta de políticas públicas de infraestrutura para a região. O crescimento urbano desordenado causou fortes interferências na região, seja em razão da especulação imobiliária, quanto pela precariedade do saneamento básico.

No entanto, mesmo com os problemas existentes e a interferência do homem, de acordo com o professor Múcio Banja, a região apresenta condições propícias para atrair moradores e turistas.

“As águas boas, rasas e quentes – ao longo do litoral do Janga e Maria Farinha – podem oferecer uma atividade turística como a que a gente observa no litoral Sul, ou ainda superior. É um ambiente que pode ser frequentado tranquilamente”, disse

A criação e implantação de atrativos e equipamentos nas praias, trabalhados de forma sustentável, associada a boa qualidade das águas é outro fator apontado pelo professor. Sobre isso, Fábio sugere e questiona a possibilidade do desenvolvimento de atividades, como o mergulho, por exemplo.

De acordo com ele, em algumas regiões do litoral ficam localizadas determinadas formações areníticas, chamadas de “pocinhos” com várias piscinas iguais a de praias como Porto de Galinhas, no Sul de Pernambuco e Maragogi, em Alagoas.

Múcio comentou sobre o potencial de mergulho nessas regiões, mas reforçou a necessidade de outros equipamentos de suporte a essas práticas, utilizando o exemplo com outra praia.

“Fazendo uma ligação direta com Maragogi, as pessoas precisam se deslocar até a região em embarcações. Há um mercado em que as pessoas tem o receptivo em vários pontos e as pessoas encontram áreas de lazer, com piscina, onde as pessoas podem aguardar. Tem toda uma área de suporte”, apontou.

Antes do desenvolvimento dos projetos, no entanto, o professor aponta que é necessário entender qual o verdadeiro potencial ambiental dos espaços, como estão as condições ambientais dos ecossistemas envolvidos.

“Essas áreas precisam de pesquisas com o apoio do poder público monitorando tudo isso e criando um grande projeto de desenvolvimento que pense no potencial de quando pode ser disponibilizado para o turismo e quanto deve ser disponibilizado para a proteção”, concordou Fábio.

O potencial da região também está voltado para a novos postos de trabalho e a transformação de trabalhadores, como barqueiros e pescadores que já atuam na região, por exemplo, em agentes de proteção das áreas.

Ebenezer exemplifica o trabalho com os barqueiros em um trabalho de ecoturismo. “A gente pode dar a oportunidade aos trabalhadores, que já têm os materiais, que é o próprio barco e utilizar formas diferentes de otimizar, trazendo uma nova característica ambiental e levando as pessoas a conhecerem melhor o litoral”, explica.

Além dos trabalhadores, as crianças das escolas municipais também podem participar como agentes propagadores para a conservação das áreas. Fábio fala em um projeto de embarcação voltada para a integração desses estudantes à região litorânea.

Um projeto semelhante funciona instalado no Espaço Ciências, Fabiana traz o exemplo para explicar poderia funcionar a iniciativa no município.

“Nós temos um barco totalmente movido à energia solar lá e é incrível como os visitantes ficam maravilhados com ele. Dentro do projeto idealizado pra paulista, tem a expertise de um barco escola para aproximar essas crianças e transformá-las em agentes propagadores”, demonstra.

“O projeto estaria popularizando a ciência de uma maneira que as próprias pessoas que moram na cidade tomariam o pertencimento e poderiam ampliar para outras pessoas”, completa Fabiana.

A sensação de pertencimento dito por Fabiana, é reforçado em outro momento por Fábio, que explica a necessidade de envolver as pessoas nas atividades para que entendam, valorizem e se sintam responsáveis também pelos recursos.

Potencial das Matas

Nesse sentido, outra área importante de ser preservada são os trechos de mata disponíveis na cidade. 30% da área territorial de Paulista/PE está sobre proteção por lei e 42% sob condição de preservação.

Tratam-se de área sete unidades de conservação municipais, três unidades de conservação do estado, além das áreas verdes do município, como parques e praças. Um verdadeiro patrimônio natural, que deve ser protegido, mas que tem todo o potencial para ser explorado da forma correta.

A legislação municipal relativa ao meio ambiente foi construída sob o comando de Fábio, enquanto secretário da pasta, durante 18 meses de trabalho. No entanto, a falta de interesse da gestão para a continuidade das atividades da área fizeram estagnar o desenvolvimento ambiental da cidade.

Ebenezer fala da necessidade de um poder público forte para colocar em prática o que já foi planejado. ” A gente precisa de um poder executivo forte e que queira fazer isso de maneira direcionada. A gente tem a legislação, mas tem que ter os planos de manejo das áreas”, diz.

Além da proteção proporcionada pelas unidades de conservação, as áreas entram também num potencial turístico. Durante o trabalho realizado na secretaria, foi desenvolvido o projeto de transformar a Mata do Frio, unidade de conservação do município, em um parque para visitação, rico em diversidade.

Os projetos não param por aí, Ebenezer fala também sobre a possibilidade de criação de um parque ecológico na Mata do Ronca, região que abriga também uma intensa biodiversidade.

“A gente pode oferecer para a população uma área de visita, área de trilha, área de parque para que as pessoas possam conhecer o potencial, possam conhecer um pouco da natureza. Ensinar a crianças e adolescentes, permitir que elas cheguem lá e aprendam”, idealizou.

A necessidade de trazer a população para perto também é reforçada por Fabiana, que vê nesse projeto, uma chance de promover a conservação ambiental. “Trazendo a população de estudantes para que a gente possa conseguir manter essa massa. Talvez sem isso, futuramente a gente não consiga manter o que já existe”, disse.

Da mesma forma que os projetos pensados para o litoral, o trabalho das matas também deve primar pelo cuidado com a biodiversidade local, lembra Múcio Banja.

“É preciso entender a suporte de carga na área. Você vai poder onde é possível abrir para visitação, o quanto essa mata suporta, eu vou botar 10 ônibus ali dentro de pessoas quantas vezes ao dia? O importante que se pense no levantamento porque tem muito potencial, mas ao mesmo tempo, é muito complexo, explicou.

Já próximo ao final da discussão, o professor salienta o real potencial da cidade, confirmado por meio da semelhança dos pontos de vista de todos eles. “Talvez se os nossos diálogos não fossem tão complementares não existiria essa potencialidade”.

A semente plantada na discussão, também citada pelo professor, estimulou o diálogo produzido e demonstrou a necessidade de novas discussões com o envolvimento também de toda a população, não só nessas questões relativas ao meio ambiente, mas de tudo que envolve Paulista/PE.

A noção da participação da sociedade está presente no projeto Municipal de Desenvolvimento idealizado por Fábio e que será colocado em prática com a ajuda de todos os cidadãos do município. Ele aproveitou a ocasião de encerramento, para chamar todo mundo a se engajar nesse plano.

“Nós teremos uma plataforma, que vamos lançar para a sociedade, em que estamos construindo um projeto Municipal de Desenvolvimento. Nesse projeto, a pasta ambiental será colocada de forma prioritária e aí pedimos que as pessoas coloquem as opiniões, proposições, para que a gente possa construir um projeto de cidade democrático e participativo e atingir o objetivo de uma cidade boa para todos”, concluiu.

https://youtu.be/VEwJeqjmr20