USF – Unidades de Saúde da Família fechadas em Paulista/PE dificulta acesso à saúde das mulheres e gestantes

Fonte: Site da Prefeitura de Paulista https://www.paulista.pe.gov.br/site/noticias/detalhes/7972
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Nesta quinta-feira (28), a sociedade é chamada à atenção e à conscientização sobre os diversos problemas de saúde e distúrbios comuns na vida das mulheres. Trata-se do Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. Em Paulista/PE, a importância da reflexão em torno das questões se mostra ainda mais necessária em razão do atual déficit nas equipes de saúde da Atenção Primária do município.

As Unidades de Saúde da Família (USF), que realizam o primeiro nível de atendimento, são a porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Estão voltadas à promoção do acolhimento e do cuidado contínuo com os usuários, na atuação preventiva da saúde. O trabalho preventivo realizado pelas USFs está voltado para muitos grupos, o de mulheres é um deles e, principalmente, o de gestantes. O acompanhamento da gestação desde o início é essencial para garantir o bem-estar materno e fetal.

A atenção precoce às mulheres grávidas possibilita que sejam reconhecidas e tratadas as principais comorbidades, como hipertensão e diabetes, por exemplo, que podem causar complicações na gravidez. O atraso na identificação dessas condições e a falta de tratamento adequado são as principais causas das altas taxas de mortalidade materna ainda presentes na maior parte dos estados brasileiros. Estima-se que cerca de 40% a 50% das causas podem ser consideradas evitáveis.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a mortalidade materna é maior entre mulheres que vivem em áreas rurais e comunidades mais pobres. É por isso que a situação atual de Paulista/PE é preocupante. O número de USFs do município foi reduzida quase à metade e, com ela, uma população mais vulnerável é prejudicada. Das 40 unidades disponíveis, 15 foram fechadas. A gestão municipal justifica o fechamento à diminuição de cerca de 30% do quadro de profissionais, que precisaram ser afastados em razão da pandemia do novo coronavírus.

Em live realizada no último dia 23, a enfermeira e ex-superintendente de Atenção à Saúde da cidade Ceci Alencar demonstrou apreensão com as possíveis consequências à saúde das mulheres provocadas pelas mudanças. “Pessoas que precisam de atendimento e acompanhamento não estão recebendo. Por exemplo, uma puérpera que acabou de ter o filho, volta pra casa e não sabe amamentar, quem vai acompanhar essa mulher? Como ela vai fazer?”, questionou.

As perguntas de Ceci se acumulam a outras tantas questões que permanecem sem respostas dos moradores. A prefeitura alega ter remanejado os usuários das unidades para outras mais próximas. No entanto, a logística não atende com eficácia toda a população que necessita de atendimento na área da saúde. O deslocamento para distâncias maiores também é um desafio, principalmente para as mulheres grávidas.

“Imagine uma mulher grávida que precisa receber o atendimento pré-natal agora ter que sair do seu bairro, onde já é atendida por uma USF e disputar o espaço de atendimento em um local que está sobrecarregado com o aumento das demandas. Sem contar que muitas estão com receio de sair e serem contaminadas pelo coronavírus. Com o fechamento das unidades, o atendimento que poderia ser feito nas casas das usuárias, da forma que garante o SUS, também é afetado”, diz o presidente da Câmara de Vereadores de Paulista/PE, Fábio Barros.

O cuidado com a saúde das mulheres, que parte do atendimento preventivo, está diretamente relacionado ao acesso e à qualidade dos serviços de saúde ofertados. Sem a aplicação correta das políticas públicas asseguradas pela Constituição e estruturadas pelo SUS, é difícil enxergar um horizonte de melhorias na assistência para as mulheres em todas as fases da vida e, na redução das taxas de mortalidade materna. Por esses e outros motivos esse é mais um dia de luta para as mulheres de Paulista/PE e do Brasil.