Café & Cidade – Profissão Marisqueira homenagem ao Dia do Pescador

Última atualização:

Numa homenagem ao Dia do Pescador, comemorado ontem dia 29 de junho de 2016, o Café & Cidade de hoje trouxe como convidadas Edna Domingos, Maria Gerusa Souza, Luiza Maria da Conceição e Gleice Carla Correia, todas marisqueiras do município do Paulista. Em bate papo com o vereador Fábio Barros, elas falaram dos problemas recorrentes a profissão e os desafios a serem enfrentados por elas. Acompanhe abaixo parte dessa conversa e compartilhe!

FÁBIO BARROS: Devido a uma forte crise enfrentada no setor pesqueiro no Brasil, fez surgir a algum tempo a profissão de marisqueira, hoje já regulamentada e bastante conhecida dentro das colônias de pescadores. Quais outras conquistas consideradas importantes ainda faltam para a categoria?

DONA EDNA: Olha Fábio, ser reconhecida profissionalmente no mercado de trabalho foi de fato uma grande conquista, mas ainda temos muitas outras coisas que carecem atenção. Por exemplo, a escassez de mariscos nos mangues, esta pra mim a pior dificuldade. Se não temos a principal matéria prima de nosso trabalho, como poderemos vendê-los? Os mangues não são mais os mesmos. Estamos conseguindo permanecer na atividade, mas vejo que falta uma consciência coletiva por parte de todos em preservar os mangues, de manter vivo e saudável este ambiente rico em alimentos que muitos de nós consumimos.

FÁBIO BARROS: Então a pesca de mariscos na região diminuiu nos últimos anos?

DONA EDNA: Sim, vem diminuindo. Por isso a importância em preservá-los. Mas há também outros problemas a serem enfrentados. Falta de estímulo ao comércio de mariscos, ou seja, uma política ambiental bem aplicada e condições de trabalho viável para as catadoras. Hoje, infelizmente não vivemos apenas da coleta de mariscos, essa na verdade é uma atividade paralela, um complemento para outras atividades que exercemos.

GLEICE CARLA: Como biólogo e ambientalista, quais soluções práticas podemos realizar para que haja uma consciência de preservação?

FÁBIO BARROS: Recentemente fizemos uma capacitação com professores do ensino fundamental e infantil, justamente para que essa consciência de preservação do que é nosso como os estuários e mangues da região, sejam passado e ensinado nas escolas desde cedo, estejam inseridos na formação de nossas crianças. A ideia é expandir esse modelo para outras escolas. Iremos realizar outras capacitações ao longo do ano e disseminar a ideia de preservação.